1 de janeiro de 2017

Retrospetiva

"-2017, és tu? Já?
- Sim Marta, sou eu. Já estou aqui à porta à tua espera.
- Mas eu ainda não estou pronta, preciso de lavar os dentes e calçar-me. Não podes esperar um pouquinho?
- Estamos quase a perder a viagem, ou vens já ou então não aproveitas tudo o que aí vem."
Se 2017 fosse uma pessoa esta tinha sido a nossa primeira conversa. Não acredito que foi o último dia de 2016. Lá está o cliché de dizer que passou a correr, mas a verdade é essa. Passou mesmo a correr. 
Ontem era Janeiro e o ano estava a começar com uma ressaca descomunal. Chegaram os 19 anos de vida, chegaram os primeiros festivais de tuna e todas as experiências que ser caloira oferece. Fui até Tábua e voltei para Leiria de coração cheio. Li livros que me deixaram a pensar e outros que me fizeram chorar. Ri. Ri muito. Conheci Óbidos num dia de chuva e prometi voltar para explorar todos recantos num dia mais soalheiro. Em Março passei uma semana a falar inglês e vi o meu melhor amigo de smoking a celebrar o fim do secundário. Saí à noite, mostrei Leiria a amigos e aproveitei tudo ao máximo. Tremi de emoção quando me vi ao espelho de traje vestido, tive as pessoas mais importantes a traçar-me a capa. Confiei em novas pessoas, confidenciei inúmeros segredos, cometi loucuras tão boas. Peguei pela primeira vez numa câmara profissional, gravei uma curta metragem e fiz as primeiras entrevistas da minha vida. Junho foi um mês de realizações pessoais. Foi o mês em passei a usar um lenço vermelho no escutismo e conheci a minha autora preferida. Apaixonei-me mais uma vez por Lisboa, conheci as Caldas da Rainha, voltei a Aveiro e ainda fui ao Porto passar o São João. Foi na Nazaré que integrei pela primeira vez uma equipa de comunicação como jornalista. Dia 10 de Julho corri para apanhar um autocarro, chorei porque pensava que tinha perdido o computador e celebrei até não poder mais o título de CAMPEÕES DO MUNDO de futebol. Tive noites só de raparigas e outras de jogos de tabuleiro. Andei por Penha Garcia e Monsanto, descobri novos locais em Idanha e aproveitei ao máximo o mês quente de Julho. Tentei um estágio na rádio, mas sem sucesso. Nem tudo pode correr como queremos. Cortei árvores para construir uma jangada, dormi numa ilha deserta e tive reuniões dentro de água. Dei um novo sentido ao que é ser caminheiro. Fui ao Boom dois dias e depois viajei para o bloco operatório. Tive duas melhores amigas durante mais de um mês e até comecei a achar piada a fisioterapia. Voltei para Leiria. Entrei em projetos interessantes de livros e tornei-me relações públicas na tuna. Vi o poder do fogo derrubar a minha segunda casa, a sala da tuna, e sofri quando vi instrumentos danificados. Fiz escolhas das quais não me arrependo. Esforcei-me e passei a tuno, tenho uma caneca. Fiz guerras de chantilly e prometi a quatro pessoas acompanhá-las e ajudá-las em todo o seu percurso académico. Fiz voluntariado de inúmeras formas e saí sempre a sentir que tinha recebido mais do que dei. Desesperei ao ver os resultados das eleições nos E.U.A. Fui a Portalegre acampar, depois voltei lá para atuar. Conheci sítios lindos e amei. Esclareci tudo o que me inquietava e disse "Gosto de ti." a quem quis dizer. Foi um ano cheio, a todos os níveis. Estou num ritmo alucinante e quero muito descobrir o que me vai trazer 2017.


"Então e os objetivos que colocaste no início do ano?"
No início do ano fiz uma lista com objetivos. Dos 8 consegui cumprir 4, 50/50. A ruptura no menisco dificultou o aspeto do exercício, mas a verdade é que nos últimos dois meses do ano podia ter trabalho nessa área e não o fiz... Não consegui visitar uma cidade europeia, mas esse é um ponto que se vai cumprir durante o próximo ano, Madrid aí vou eu!! Tentei estagiar na minha área, mas não consegui, fica a experiência para 2017. Os pontos que foram concretizados estão referidos no texto acima.


"Não és tu que tens a mania das listas?"
Essa é uma mania que me acompanhou o ano todo. Vamos então ver essas listas?
Li 25 livros. Dei 5 estrelas a nove livros - dos quais Objetos Cortantes, Segue o Coração e O Outro Amor da Vida Dele foram os livros que mais gostei. Dei oito livros com 4 estrelas, quatro livros com 3 estrelas e dois livros com 2 estrelas. Não atribui classificação a dois livros.
Relativamente a séries também foi um ano muito produtivo. Comecei a ver How To Get Away With Murder e viciei completamente na série. Entretanto continuei a ver Hawaii Five 5-O, PLL, Younger, The Flash, Suits, TVD, Arrow, You're The Worst. Vi o fim de Awkward e de Devious Maid. Deixei de lado The Balcklist, Jane The Virgin, The Originals, The Librarians e New Girl. 
Tenho muito mais listas, mas estas são as únicas que vos interessam! ahahahah

Ficam algumas imagens do que foi 2016

E este é o meu pequeno resumo de 2016. Há muito mais por dizer, muito por contar e as inúmeras recordações que guardo deste ano. Vamos ver o que 2017 me reserva!
Obrigada por estarem desse lado mais um ano.
Beijinhos nas bochechas*

14 de dezembro de 2016

Do outro lado da praxe

O que é para ti a praxe? 
Entre muitas questões esta foi a que mais me fez pensar o ano passado - o meu ano de caloira. Ponham de lado o encher ou gritar obscenidades para os trajados. Sim, isso existe, mas não é o ponto central da praxe. Praxe é a união, o respeito e a criação de experiências e memórias futuras. 
Tradição? Talvez, mas em que consiste essa tradição? Sabe-se a história dessa mesma tradição ou é apenas bonito dizer que é uma tradição? Questionaram esses motivos? Pensaram se essas tradições ainda se justificam nos dias atuais? Até as melhores tradições sofrem alterações e adaptam-se aos tempos modernos. É preciso uma evolução para que os utilizadores continuem a gostar e a apreciar essa mesma tradição. É interessante saber o porquê de termos 12 nervuras na camisa ou porque é que temos um "chapéu" (Kiko), é ainda mais interessante ver que todos os estudantes sabem a razão e a história desta tradição, é fascinante ver os caloiros levarem a história no nosso traje para outras cidades, é ainda mais estimulante perceber que temos uma cultura local que no possibilita ter um traje diferente e não nos limitarmos ao tradicional. O mesmo devia acontecer com os momentos de praxe, temos algo diferente e único, mas porquê? Qual a sua história? Não se pode pedir a alguém que dignifique uma situação apenas porque é tradição, as pessoas precisam de saber os motivos e origens, precisam de criar ligações. Mais uma vez realço: as tradições podem (e devem) adaptar-se às realidades da sociedade. 
Voltemos ao início deste texto e analisemos a frase "Praxe é a união, o respeito(...)", para as pessoas contra a praxe pode pensar que nós vivemos qualquer experiência menos respeito e união, mas não é bem assim. O respeito é criado a partir do momento em que os caloiros sabem que nós - trajados - somos mais velhos e temo mais experiência na escola. Temos mais conhecimentos na nossa área de estudos e podemos ajudá-los em qualquer dificuldade. A praxe não é sinónimo de infligir dor a alguém. Os caloiros sabem o que têm de saber, quando erram são repreendidos, mas essa repreensão limita-se a quando erram. Se a fase "teórica" da praxe estiver bem estudada passamos aos momentos engraçados e onde levam as melhores experiências da praxe. É nos jogos que lhe propomos que eles têm de se unir para conseguir fazer, é nos desafios mais absurdos que eles trabalham em conjuntos para nos apresentar o melhor que sabem e conseguem. São esses momentos criados na praxe que facilitam os trabalhos de grupo ao longo dos semestre ou que nos preparam um pouco para as apresentações orais. 
Voltemos ao respeito. O nosso respeito começa onde termina o respeito do outro e vice versa, mas o respeito de cada um é relativo e muitas vezes podemos estar a invadir negativamente o espaço de alguém. Nenhum trajado tem o direito de faltar ao respeito a um caloiro ou de gozar com a cara. Os caloiros, por mais que digamos não serem nada, continuam a ser pessoas. Podemos ter opiniões diferentes, visões diferentes, mas conseguir transmitir as nossas intenções aos caloiros sem berrarmos feitos galinhas ou sermos pior que a Ursula da Pequena Sereia. 
E se a praxe a união e respeito, porquê é que continua presente o rivalismo de curso em praxes de escola? Esse é o momento para nos divertirmos e aproveitarmos todos juntos. O teu curso contra o meu curso, claro que aceito tal justificação, mas fora da praxe de escola. Esses gestos só continuam a motivar a falar de compatibilidade entre os caloiros e não mostra uma boa imagem da parte dos trajados. Dizemos ser crescidos, mais experientes e capacitados o suficiente para "educar" os alunos de 1º ano, mas quando é realmente preciso não sabemos por os problemas pessoais de lado e praxarmos todos como um.
Então deixo-vos uma nova questão: Será que são os caloiros que não são bons caloiros ou os trajados que não sabem ser bons trajados?